Nunca demorei tanto para chegar em casa. Em nenhum outro momento o caminho de volta de pareceu tão longo e sinuoso.
Ate tirei os óculos para tentar não ver as lágrimas que se misturavam a chuva que insistia em cair do lado de fora da minha vida.
Em vão corri noite adentro, com o coração se desfazendo pela saudade que já me cercava antes mesmo de olhar em seus olhos e ver o reflexo da duvidosa certeza de que minha hora de ir embora havia chegado.
Apenas fui, e tentei enxergar pelo retrovisor um vislumbre dos meus dias de agora há pouco em diante. Não consegui ver nada, apenas momentos ora turvos, ora acinzentados, ora momentos sem momentos.
E como uma musica de um compasso único preenchido por uma pausa com uma fermata, com ritornelos em seu barulhento inicio e em seu insondável final, assim soou meu caminho de volta para casa.
Cheguei, por fim.
Inteira.
Em incontáveis pedaços.
(Vila Velha, 22 de novembro de 2010)

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