Sinto saudade dos machucados no joelho de quando era criança... Bastava ir chorando em direção a mamãe, fazer uma manha e depois saltitar feliz pelas calçadas com os joelhos ralados e vermelhos de Mercurio (que não ardia mas ainda assim eu pedia para que mamãe assoprasse o dodói). Dias depois nada mais havia do que algumas marquinhas nos joelhos que em nada prejudicavam as brincadeiras ou o andar descuidado de bicicleta.
Como parecia ser rápida, a cicatrização!
Na verdade não sei se, de fato, os machucados saravam mais rápido ou se as feridas eram mais superficiais...
Mal sabia eu que com o passar dos anos feridas no coração doeriam bem mais do que machucados nos joelhos; que muito embora eu ainda pudesse correr para os braços de minha mãe aos primeiros sinais de dor, ela – com o pesar característico das mães – não teria remédio algum para me dar a não ser me oferecer uma dose de tempo e muitas gotas de paciência.
Hoje, quando minha alma se fere nos caminhos que minha vida percorre, eu – com uma saudade incontida e lágrimas nos olhos – olho para os meus joelhos e depois para dentro do meu coração e penso: “vai sarar...”

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